Binarismos, horizontes quebrados, 2011
 
A Modernidade inventou e se serviu de uma lógica binária, a partir da qual denominou de diferentes modos o componente negativo da relação cultural:  Essas oposições binárias sugerem sempre o privilégio do primeiro termo e o outro, secundário nessa dependência hierárquica, não existe fora do primeiro mas dentro dele, como imagem velada, como sua inversão negativa.
A lógica binária atua, de acordo com Rutherford (1990), como se rompesse e se projetasse: o centro expulsa suas ansiedades, contradições e irracionalidades sobre o termo subordinado, levando-o com as antíteses de sua própria identidade. O outro simplesmente reflete e representa aquilo que é profundamente familiar ao centro, porém projetado para fora de si mesmo. Por isso, quando os binarismos são identificados culturalmente, o primeiro termo sempre ocupa, como diz MacCannel (1989) a posição gramatical do o, porém nunca do eu ou do tu, construindo na modalidade enunciativa sua posição de privilégio.
A América Latina sabe desses binarismos. A conquista a partir da visão européia vem inaugurar antagonismos essenciais: de um lado a mão redentora dos conquistadores que traz modernização e progresso; de outro, a brutalidade dos indios.
Não obstante, não apenas a "tradução" oficial sofreu de binarismo; também aqueles que, invertendo a vara ideológica, não escaparam da lógica dos antagonismos essenciais, mascarando uma dinâmica mais complexa e plena de tensões. Pergunta-se Canclini (1999) "onde situar os espanhóis que lutaram pelo respeito aos índios ou os filhos de espanhóis
As ações levadas a termo foram, em quase todos os países da América Latina, desde a eliminação física de gaúchos e aborígines, até a constituição de sujeitos civilizados. Se substituiu a população nativa por migrantes europeus e se homogeneizou uma nação branca mediante a descaracterização das diferenças
O multiculturalismo conservador abusa do termo diversidade para encobrir uma ideologia de assimilação -  A autorização para que os outros continuem sendo esses outros porém em um espaço de legalidade, de oficialidade, uma convivência sem remédio.
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Binaries, broken horizons 2011

Modernity invented and poured himself a binary logic, from which called in different ways the negative component of the cultural relationship: These binary oppositions always suggest the privilege of the first term and the other secondary in this hierarchical dependence, does not exist outside of the first but within it, as veiled image, as its negative inversion.
The binary logic operates, according to Rutherford (1990), as broke and protruded: the center expels their anxieties, contradictions and irrationalities of the subordinate term, taking him to the antitheses of their own identity. The other simply reflects and represents what is deeply familiar to downtown, but projected out of himself. So when the binaries are identified culturally, the first term always occupies, as MacCannel says (1989) the position of the grammar, but never the I or you, building on the enunciative modality their privileged position.
Latin America knows these binaries. The conquest from the European view is open antagonisms essential: on one side the redemptive hand of conquerors who brings modernization and progress; on the other, the brutality of the Indians.
Nevertheless, not only the "translation" official suffered from binary; also those who, reversing the ideological pole, did not escape the logic of the essential antagonisms, masking a more complex and full of dynamic tension. Does Canclini (1999) "where to locate the Spaniards who fought for the respect the Indians or the children of Spanish
The actions carried to term were, in almost all Latin American countries, from the physical elimination of gauchos and Aborigines, to the establishment of civilized subjects. If you replaced the native population by European migrants and homogenized a white nation by mischaracterization of differences
Conservative multiculturalism abuses the term diversity to cover an assimilation ideology - The authorization for the others to continue with these other but in a legal space, officers, living together without remedy.
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Binarismos, horizontes quebrados l , 2011
grafite, guache, conté, nankim e colagem sobre papéis e documentos apropriados antigos - 65 x 95 cm 
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Binaries, horizons broken l 2011
graphite, gouache, conté, nankim and collage on paper and old proper documents - 65 x 95 cm
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Binarismos, horizontes quebrados ll , 2011
grafite, guache, conté, nankim e colagem sobre papéis e documentos apropriados antigos - 65 x 75 cm 
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Binaries, horizons broken ll, 2011
graphite, gouache, conté, nankim and collage on paper and old proper documents - 65 x 75 cm
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Binarismos, horizontes quebrados lll, 2011
grafite, guache, conté, nankim e colagem sobre papéis e documentos apropriados antigos - 100 x 105 cm 
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Binaries, horizons broken l 2011
graphite, gouache, conté, nankim and collage on paper and old proper documents - 100 x 105 cm
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Binarismos, horizontes quebrados Vl, 2011
grafite, guache, conté, nankim e colagem sobre papéis e documentos apropriados antigos - 45 x 65 cm 
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Binaries, horizons broken Vl, 2011
graphite, gouache, conté, nankim and collage on paper and old proper documents - 45 x 65 cm
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